Carta

Ari,

 

Se tem algo que eu faço ao seu lado é brincar de viver. Você é essa pessoa que me lembra que se uma lágrima escorre, ela vem porque o mundo te disse não, mas que existiu um bom motivo pra isso. Que se os últimos meses, talvez os últimos anos, foram difíceis, foram pra que eu conseguisse reconhecer e perceber a importância de que eu quero ver feliz quem anda comigo. Ari, você tem sido crucial na minha vida. Eu sou o resultado e fruto direto das minhas relações e amizades e amores. Você só teve a contribuir com isso de maneira maravilhosa. Se hoje eu consigo ver que certos obstáculos estão sendo superados, é porque você esteve lá pra me ajudar a derrubá-los.

 

Eu não tenho nem como te agradecer por tudo que você me faz.

 

Se a vida é esse emaranhado de ideias brigando pra ver qual fará do mundo um lugar menos pior, eu quero estar ao seu lado pra respondermos sim à nossa imaginação.

 

Te amo muito,

A pureza dos meus sentimentos

Eu certamente já questionei a sinceridade dos meus pensamentos. No entanto, posso dizer que minha cabeça é quase sempre verdadeira quanto aos seus sentimentos.

Fico relendo aqui uns rabiscos, uns posts antigos nunca publicados (um dia os publicarei), e percebo o quão melancólico eu sou, quanto esses sentimentos e pesares são tão comuns nas minhas reflexões.

Cada escrito meu é como se fosse um cartão postal antigo, apagado, de uma viagem de que ninguém nem se lembra mais, escrito pra alguém que nem é mais presente. Fica esse ar pesado na sala, cheirando cigarro, essa meia-luz patética fingindo ser cool, pagando de ermitão dos próprios pensamentos.

 

Me dá vontade de rasgar todos, mas quem sou eu senão essa imagem que eu tento passar de mim mesmo?

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Eu adoro seus cabelos grisalhos. Cabelos grisalhos.

Boa noite.

Muita, muita coisa aconteceu desde a última vez

que eu escrevi aqui.

Eu viajei pela Europa. Eu tive depressão e ataques de pânico. O Brasil passou por eleições. Eu fui pra Belém. Eu tive um amor de verão. Eu fiz terapia. Eu lembrei minha família de que sou gay. Eu empaquei no doutorado. Eu submeti um artigo pra um congresso e foi aceito. Eu viajei pra Buenos Aires.

Tudo isso em seis meses. Tudo foi muito lindo e muito terrível, como é toda parte de nossa vida. A nossa vida é fractal.

Eu comprei um diário e tô escrevendo mais lá do que aqui, por sinal. É um diário de cinco anos, em que você escreve poucas linhas por dia.

Eu sinto que a vida está fluindo por mim. Por bem ou por mal.

Rápida atualização

O fim do mês de junho, o mês de julho e o início do mês de agosto foi um período muito intenso na minha vida.

 

Muita coisa aconteceu, como meu último semestre de matérias do doutorado, minha primeira viagem pra europa e minhas últimas qualificações de matérias do doutorado. Por isso, caros leitores inexistentes, não postei nada aqui. Farei uma espécie de especial sobre a viagem pra Europa.

rabisco de paixão

Uma de minhas grandes dificuldades é contradição entre a facilidade de apaixonar-se por algo (ou alguém) e a dificuldade de aprofundadamente amar algo (ou alguém).

Há muitas pessoas que passaram em minha vida por quem me apaixonei de imediato. Algumas dessas passaram, outras ficaram. Das que ficaram acho que nenhuma passará. Há algumas pessoas por quem não me apaixonei de imediato, mas adquiri um amor constante e profundo. Essas estão muito bem colocadas.

Contudo, sempre digo que me apaixono com facilidade, é que ultimamente tenho estado melancólico com relação a isso. O êxtase da paixão tem sido fugaz e/ou inerte. Para coisas, mantenho o escandalizado furor inicial. 

O conhecimento, por esse sim, me apaixono constantemente. 

Não há conclusão para esse rabisco