The Sound and the Fury

“He was like a worn small rock whelmed by the successive waves of his voice. With his body he seemed to feed that voice that, succubus like, had fleshed its teeth in him. And the congregation seemed to watch with its own eyes while the voice consumed him, until he was nothing and they were nothing and there was not even a voice but instead their hearts were speaking to one another in chanting measures beyond the need for words, so that when he came to rest again against the reading desk, his monkey face lifted and his whole attitude that of a serene, tortured crucifix that transcended its shabbiness and insignificance and made it of no moment, a long moaning expulsion of breath rose from them, and a woman’s—woman’s single soprano: “Yes, Jesus!”
― William Faulkner, The Sound and the Fury

In Search of Lost Time

[originalmente postado 21/03/2009 em http://spacecollective.org/trubers/4791/In-Search-of-Lost-Time]

In Search of Lost Time or Remembrance of Things Past (French: À la recherche du temps perdu) is a semi-autobiographical novel in seven volumes by Marcel Proust. His most prominent work, it is popularly known for its extended length and the notion of involuntary memory, the most famous example being the “episode of the madeleine”. The novel is still widely referred to in English as Remembrance of Things Past, but the title In Search of Lost Time, a more accurate rendering of the French, has gained in usage since D.J. Enright’s 1992 revision of the earlier translation by C.K. Scott Moncrieff and Terence Kilmartin.

Begun in 1909, finished just before his death in 1922, and published in France between 1913 and 1927, many of the novel’s ideas, motifs, and scenes appear in adumbrated form in Proust’s unfinished novel, Jean Santeuil (1896–99), and in his unfinished hybrid of philosophical essay and story, Contre Sainte-Beuve (1908–09). The novel has had a pervasive influence on twentieth-century literature, whether because writers have sought to emulate it, or attempted to parody and discredit some of its traits. In it, Proust explores the themes of time, space, and memory, but the novel is above all a condensation of innumerable literary, structural, stylistic, and thematic possibilities.

Proust died before completing his revisions of the drafts and proofs of the final volumes. His brother Robert edited the last three volumes, which were published posthumously.

source: Wikipedia

Gógol Ganguli

In O xará – Jhumpa Lahiri:

Uma vez eles tinham ido a Cape Cod, percorrendo esse trecho curvo de terra até não poderem mais seguir de carro. Ele e o pai tinham caminhado até a ponta, cruzando a arrebentação, uma feixa de pedras cinzentas, oblíquas, gigantes, e depois sobre o último trecho estreito de areia, em forma de lua crescente. Sua mãe tinha parado depois de algumas pedras e ficado esperando junto com Sonia, que era pequena demais para ir com eles. “Não vão muito longe”, a mãe advertira, “não vão aonde eu não possa ver vocês.” As pernas dele começaram a doer na metade do caminho, porém o pai seguiu em frente, parando às vezes para dar o braço a Gógol, inclinando levemente o corpo quando ele se apoiava numa pedra. Enquanto ele estava sobre essas pedras, algumas delas espaçadas o suficiente para fazê-los parar e pensar no melhor jeito de alcançar a próxima, a água o cercava de ambos os lados. Era o começo do inverno. Patos nadavam nas poças de maré. As ondas fluíam em duas direções. “Ele é pequeno demais”, a mãe gritou. “Você está ouvindo? Ele é pequeno demais para ir tão longe.” Gógol parou nesse momento, pensando que talvez o pai fosse concordar. “O que você diz?”, o pai perguntou, porém. “Você é pequeno demais? Não, acho que não.”

No fim da arrebentação havia um campo de juncos amarelos à direita, dunas mais além e o oceano atrás de tudo aquilo. Ele estava esperando que o pai fosse voltar, porém eles tinham continuado, pisando na areia. Andaram ao longo da água para a esquerda, seguindo na direção do farol, e passaram por carcaças enferrujadas de barcos , espinhas de peixe grossas feito canos presas a crânios amarelos, uma gaivota morta cujo peito branco coberto de penas tinha manchas recentes de sangue. Eles começaram a recolher pedrinhas pretas desbotadas com listras brancas em volta, enfiando-as nos bolsos, o que os fez pender volumosos dos dois lados. Gógol se lembra das pegadas do pai na areia; por ele mancar, a ponta do seu sapato direito estava sempre virada para fora, o esquerdo apontado para a frente. As sombras deles dois naquele dia eram extraordinariamente delgadas e longas, inclinadas uma em direção à outra, com o sol do fim da tarde às suas costas. Eles pararam para observar uma boia de madeira rachada pintada de azul e branco, no formato de um antigo guarda-sol. A superfície estava envolta por finos fios de algas marrons e incrustrada de cracas. O pai a havia levantado e examinado, apontando para um marisco vivo embaixo dela. Por fim, eles chegaram junto ao farol, exaustos, cercados de água por três lados, azul-claro no porto, azul-celeste mais além. Aquecidos pelo esforço, abriram o zíper de seus casacos. O pai afastou-se para urinar. Ele ouviu o pai gritar – eles tinham deixado a câmera com a mãe dele. “Fizemos este caminho inteiro e não vamos tirar fotos”, ele disse, balançando a cabeça. Ele enfiou a mão no bolso e começou a jogar as pedras listradas na água. “Vamos ter que lembrar, então.” Eles olharam em volta, para a cidade cinzenta e branca que brilhava do outro lado do porto. Então deram início ao caminho de volta, tentando por um tempo não deixar novas pegadas, pisando nas que tinham acabado de fazer. Um vento começou a soprar tão forte que os obrigou a parar de vez em quando.

“Você vai se lembrar desse dia, Gógol?”, o pai perguntou, virando-se para olhar para ele, com as mãos pressionadas feito aquecedores de ouvido, dos dois lados da cabeça.

“Por quanto tempo tenho que lembrar?”

Por cima do vento que subia e descia, ele escutou a risada do pai. Estava ali parado, esperando Gógol alcançá-lo, e estendeu uma das mãos quando Gógol se aproximou.

“Tente lembrar para sempre”, ele disse quando Gógol chegou até ele, e o conduziu lentamente de volta, cruzando a arrebentação, até o lugar onde sua mãe e Sonia estavam esperando. “Lembre que você e eu fizemos esta jornada, que fomos juntos a um lugar de onde não havia mais lugar algum para ir.”

Não houve frase na minha vida que eu mais desejei que não fosse verdade que “nada nos prende”.

Você sente a minha ausência?

Vem
anda comigo
pelo planeta
vamos sumir!
Vem
nada nos prende
ombro no ombro
vamos sumir!

Não importa
que Deus jogue pesadas moedas do céu
vire sacolas de lixo pelo caminho
Se na praça em Moscou
Lênin caminha e procura por ti
sob o luar do oriente
fica na tua
Não importam vitórias
grandes derrotas, bilhões de fuzis
aço e perfume dos mísseis nos teus sapatos
Os chineses e os negros
lotam navios e decoram canções
fumam haxixe na esquina
fica na tua

Vem
anda comigo
pelo planeta
vamos sumir!
Vem
nada nos prende
ombro no ombro
vamos sumir!

Não importa que Lennon arme no inferno a polícia civil
mostre as orelhas de burro aos peruanos
Garibaldi delira
puxa no campo um provável navio
grita no mar farroupilha
fica na tua
Não importa que os vikings queimem as fábricas do cone sul
virem barris de bebidas no Rio da Prata
M’boitatá nos espera
na encruzilhada da noite sem luz
com sua fome encantada
fica na tua

Poetas loucos de cara
Malditos loucos de cara
Ciganos loucos de cara
Ah, vamos sumir!
Parceiros loucos de cara
Inquietos loucos de cara
Pirados loucos de cara
Ah, vamos sumir!

Vem
anda comigo
pelo planeta
vamos sumir!
Vem
nada nos prende
ombro no ombro
vamos sumir!

Se um dia qualquer
tudo pulsar num imenso vazio
coisas saindo do nada
indo pro nada
se mais nada existir
mesmo o que sempre chamamos real
e isso pra ti for tão claro
que nem percebas
se um dia qualquer
ter lucidez for o mesmo que andar
e não notares que andas
o tempo inteiro
É sinal que valeu!
Pega carona no carro que vem
se ele não vem, não importa
fica na tua

Videntes loucos de cara
Descrentes loucos de cara
Pirados loucos de cara
Ah, vamos sumir!
Latinos, deuses, gênios, santos, podres
ateus, imundos e limpos
Moleques loucos de cara
Ah, vamos sumir!
Gigantes, tolos, monges, monstros, sábios
bardos, anjos rudes, cheios do saco
Fantasmas loucos de cara
Ah, vamos sumir!

Vem
anda comigo
pelo planeta
vamos sumir!
Vem
nada nos prende
ombro no ombro
vamos sumir!

Sumir…

Palavras que estavam guardadas

Eu entendo a sua dor.
Lendo aquela história, a senti em meu próprio coração. Senti cada sorriso e cada lágrima. Senti o cheiro do cigarro e gosto de fel. Doeu em mim.

Com certeza infinitamente menos do que doeu em você, mas com tanta empatia que até o ar me faltou.

Eu queria poder estar com você em todos os momentos. Me senti abraçada com o encontro e a despedida, como se eu estivesse no meio de vocês dois. Mas também me senti longe, como de fato estou.

Senti tanta coisa lendo sua história. Tenho tanta coisa para falar também. Tenho meus momentos guardados, meus micro segredos que querem ser divididos. Mas senti sua dor, e vamos focar nela.

O amor, Arthur, é aquela criança que morde e ri. Morde porque acha gostoso, e ri porque não sabe o que é a dor da mordida no outro. Mas é uma linda criança, que queremos ter por perto e vê-la crescer. Amadurecer.

Eu sei que você não vai desacreditar do amor. Você transborda amor.

Mas eu sei também que tem muita tristeza em você, e ela precisa ser trabalhada. Ela não vai passar rápido, ela não vai ser bondosa. Mas podemos fazer com que ela se dilua entre os outros sentimentos para que seja menos percebida, até que ela vire apenas lembrança.

Eu sei que é bastante clichê, mas às vezes encontramos a pessoa certa no momento errado- ou a pessoa errada em um momento oportuno. E nunca saberemos como reagir, como seguir em frente.

Honestamente, não sei qual conselho dar.
Nenhum conselho é forte o suficiente para segurar uma paixão, nem para consolar um coração despedaçado. Não sei mesmo o que dizer.

Por isso a distância é horrível. Porque um abraço e um silêncio compartilhado talvez significasse muito mais do que um e-mail atrasado e com tantos devaneios. Mas não queria deixar de oferecer tudo o que posso a você, e agora posso com palavras.

Choro.
O aeroporto é um lugar triste.

Guardo amores inacabados no meu coração, e sinto todos eles de uma vez agora. Mas guardo, porque é a opção que eu fiz.

Sei que não é a escolha que você fez, muito menos a que gostaria de fazer. Sei também que não estou ajudando, mas o que posso dizer é: guarde esse amor, e você aprenderá a conviver com ele dentro de você.

Estou chegando.

Bárbara Caparroz