O velho e o mar 2

Agora sabia que o peixe estava de fato ali e as mãos e as costas não eram nenhum sonho. “As mãos curam-se depressa”, pensou o velho. “O sangue limpou-as e o sal da água fará com que cicatrizem. A escura água do golfo é o melhor remédio para isso. Tudo o que preciso fazer é conservar a cabeça lúcida. As mãos cumpriram a sua obrigação e estamos navegando bem. Com a sua boca fechada e a enorme cauda erguendo-se no ar, navegamos os dois como irmãos.” Começou a sentir-se de novo tonto e perguntou a si próprio: “Será ele que me está arrastando ou serei eu que o estou rebocando? Se eu fosse atrás dele, a reboque, não haveria dúvida. O mesmo sucederia se o peixe estivesse dentro do barco, com toda a sua dignidade derrotada: dessa forma também não haveria a menor dúvida.” Mas estavam navegando os dois juntos, ligados um ao outro, e o velho pensou: “Deixe que seja ele que esteja rebocando, se isso lhe agrada. Só consegui ser melhor do que ele por uma traição e ele não me desejava nenhum mal.”

Hemingway, Ernest. O Velho e o Mar

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s