A minha parte

A minha parte

Te quero longe, te quero perto, família, amazônia.
Aquele cheiro que veio em minhas roupas. Não sei se te quero perto. Se te quero cidade, se tu és em mim uma morena de verão, ou uma morena pra amar, não sei.

Tu és minha mãe, minha origem. Mas não quero teu colo, quero só um chamego, um afago.

És jovem, ingênua. Jovem como metrópole. Velha como cidade. Não entendes teus filhos, nem eles te entendem. És velha e espera. Senhora, Dona.

Mas em mim tens mais que teus braços de rios e tuas comidas maravilhosas. Não caibo em mim com tua cultura, teu brega. Ai minhina, vem. Ei Anhinha. Égua. Eras.

Estás em mim em minha alma, em meu gingado. Tens meus irmãos, meus iguais. Aqueles dos quais sinto mais falta que todos. Aqueles que me tratam como a parte de si que foi embora. Tua cor, verde. Generalíssima. Com mangas. Muita gente já te desenhou, te retratou. Não é suficiente. Tu faltas. Tu falas. A portinha.

Queria sê-la, queria vivê-la. Na estrada, no porto, na franqueza e na beleza.

Reitero que não quero cair em seus braços. Mas te quero mais perto que nunca, Belém.

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