Lika

Você consegue viver tranquilamente, ou pelo menos consegue passar um ar de tranquilidade enquanto vive. No seu silêncio tem sua dor e seu sofrimento, mas é no sorriso que tá a satisfação. É uma incógnita, um maior ponto de interrogação, pois é justamente no seu sorriso que tá a satisfação. Lika, você é incrivelmente sensível e eu não faço ideia de como eu sei isso. Eu nem te conheço. Eu nem sei quem você é. Eu sei meia duzia de fatos sobre a sua vida e acho que já sei tudo, meio prepotente da minha parte. Mas eu tenho certeza, Lika, de que você é incrivelmente sensivel. De que você percebe o mundo em que tá vivendo, e como ele é imenso diante de você. Você é o tipo de pessoa que sabe que essa história de modernidade, urbanidade e liberdade nada mais gera que um grande vazio dentro da gente. Lika, você é daqueles seres sozinhos, daqueles que tem a tristeza solitária. Não que seja completamente infeliz, muito pelo contrário, você é feliz, mas sabe que é você sozinha, que a sua existência se resume em apenas ser você. E isso dói. E então ficamos intensamente nessa “busca pela busca”, de não saber nem se há, de fato, algo a ser buscado. Mas sabemos que estamos querendo nos encontrar em algum lugar. E ficamos nos contentando com pouco, achando que o que importa tá perto da gente. Mas nunca saberemos o que importa, ou o que queremos, de fato. E o problema é que a gente sempre acha que quer algo, e se não tem, sofre por isso. Lika, você sabe como é estar na simplicidade, um obrigado de coração, um bom-dia de coração, uma real preocupação com o outro. Não é obcecada com isso, você deixa fluir com naturalidade todo esse lado doce e amável. Esse não é só mais um email na minha caixa de saída… Eu sei que um dia a gente sai daqui e experimenta a outra vida, o que vem depois. Mas a sua experiência aqui não se resume a simplesmente estar atada a um conjunto de valores densos e pesados. (Ou é um grande conflito dentro de você; no sentido de que você vive isso mas não gostaria de viver). Você quer experimentar as coisas sem ter que se sentir presa a outras. Lika, você é livre. E sabe fazer dessa liberdade toda um modo de viver sem nem ao menos conseguir irritar alguém. E tudo isso fica preso dentro de um corpo, mundano, real, terreno, que nem sempre é capaz de transcender. Outra frustração. Eu sei, Lika, que se você pudesse, você se desfaria em fluido, e seria, simplesmente seria. Seria. Existiria. Existiria a Lika. A gente tá aqui pra isso, pra ser, e existir ao máximo, não se prendendo nos absurdos a que nos fazem ficar presos. Entretanto, estamos aqui vivendo e presos, tentando ser, lutando contra a existência, querendo ultrapassar a realidade pra nos tornamos inteiros, completos, infinitos. Sabendo que nunca nos tornaremos.

Corrija-me se eu estiver errado, Lika, mas você sou eu.

Tonight maybe we’re gonna run. Dreaming of the Osaka sun. Dreaming of when the morning comes.
Lovers in Japan, Coldplay.

P.S.: Não sei quanto disso é você ou quanto disso sou eu, mas tenho certeza de que acertei muita coisa.

P.S.2: Nunca se sinta obrigada a responder este email.

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