Instituto Butantan

Hoje, ao ir jantar fora da USP com meu amigo Rafael, passei por uma parte do campus que desconhecia. É o Instituto Butantan. Se um dia eu conhecer o Rio de Janeiro, tenho certeza de que parte dele é daquela maneira. Caminhos antigos, de paralelepípedo, com muretas cobertas de musgo e umidade, árvores altas garantindo uma sombra eterna que é inutilmente invadida por nesgas de luz. É um lugar belíssimo, com gramados bem cuidados, com um prédio bem antigo e imponente, que possui uma coluna negra majestosa inexistente. Chega de embelezar o texto. Queria sinceramente deixar bem claro que o lugar se encaixa no meu modelo de lugares que me fazem sentir o bem.

“Súbito um telhado, um reflexo de sol numa pedra e a fragrância de um caminho me fizeram parar pelo prazer único que me proporcionavam, e também porque sugeriam esconder algo que convidavam a capturar. Gostava de me lembrar exatamente da linha do telhado, do matiz da pedra, que, sem que eu pudesse compreender por quê, haviam me parecido plenos, prestes a se entreabrir, a me oferecer aquilo de que não eram senão invólucro. Já em casa pensava em outra coisa, e assim iam se amontoando em meu espírito muitas imagens diferentes, sob as quais há muito já morreu a realidade pressentida que não tive vontade bastante para conseguir descobrir.” (O Narrador, capítulo de Combray, no livro Em Busca do Tempo Perdido, de Marcel Proust)

Era um caminho que tinha uma garoa fina e gelada que insistia em tentar nos incomodar.

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