Verborràge

Brilhos e pratas e sujos e olhares indiscretos. Sobras e eu sou o mais sensível que você pode ter; é só uma luz no fim, do túnel, é claro. Mais um cigarro e pigarro e a amizade vai corroendo. Não existe, não existo, não existi, não existimos, negando, continuando, desafogando o avesso o desavesso a barba-por-fazer, só eu existo em mim. Os eus. Fluido e os bêbados correndo pelas línguas, caminhando desaparecidos e incólumes, ninguém os encontrará. Ele faz o tipo desesperado e impaciente, cansado de se conter em si, proibido de liberar o segredo. O porteiro e o elevador quebrado na parte mais desconhecida do lugar mais desconhecido, que não faz efeito. Não grita e nem vem pra cima de mim, é tudo uma ilusão de que tá tudo bem. A overdose e o coração no sabor do recomeço, parecendo a garotinha indefesa que não existe mais. Esse é o caso, TÁ tudo bem, É-se feliz! A certitude do conforto, onde se acha que tudo é contra si. Mas eu não sou tímido, não era pra ser assim. Falta bem pouco pro contentamento final. Do topo do prédio mais alto, do fundo do buraco menos alto, no meio das dezessete pessoas, quem conta um conto aumenta adivinhe quantos pontos? Deito na praça, à noite e vejo quase sete estrelas, perdidas e apagadas, exasperadas. Uma televisão ligada num programa antigo e um modelo de sociedade que já não funciona mais. Qual a razão de se continuar existindo em conjunto? Oras, desliguemo-nos, apaguemos esses conjuntos de lembranças que queremos ter, que precisamos ter pra ser mais um. Queremos ser o mais um sendo o mais um, mas tendo noção de que ser só mais um não é bom. Não é bom porque foi definido que não é. Eles se amam, no Japão, e tem todas aquelas coisinhas das quais não nos lembramos, que são coloridas, borradas, e fazem parte sobre o fundo lilás. Brilhos e pratas e cores e pessoas indiferentes. Cada uma seguindo a sua vida, não sabendo como reagir diante de tanta imensidão, diante do infinito. Ser só mais uma besteirinha infantil que pensa que pode reagir contra tudo isso não quer dizer nada; não há mais o caminho pra iluminação, todas as estradas estão fechadas. Você é um dia de tempestade, um dia em que estar molhado não importa, que foi imposto à força contra você. Você é um dia perpétuo, que não acaba, mas você já não lembra de nada. Você não se lembra de como foi o seu aniversário de onze anos, só lembra que corriam crianças, menores e ignorantes, ingênuos do pessimismo que viria lhes acometer. O dia de tempestade encharcado na sarjeta e correnteza. Você está no paraíso, sem saber se encontrar, não tem memória. Você nasce e não sabe o que tem entre as metades. Sorria pra mim, é só o que eu peço. Não é mais sobre mim, agora é sobre você. Todo o meu externo está em você. Toda a minha parte do meu não-ser agora já é você. O porta-retrato quebrado e a limpidez irritante de uma noite sem chuva. Meu olho arde de tanto sono com toda a repetição. Um guaraná e mundano como mais uma noite pode ser. Falta bem pouco pro contentamento final.

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