Minutos

Faltam vinte e três minutos pra começar a minha aula. Vinte e três minutos de distância da Mecânica Analítica Clássica. Nome pomposo. É lá que eu aprendo como a Matemática ajudou a Física durante todos esses anos. E são muitos anos. É lá que eu não sinto a dor da condição humana. Lá tem a força que reage à sua simétrica com mesma intensidade. Não é desproporcional. Não é injusto. Faltam dezenove minutos. Quem sabe eu lá dentro não to escapando. Não é o fora que me convém, é o dentro. Dezessete minutos. Mas de que eu quero escapar? O que eu quero? Eu quero é saborear esse amargo, aproveitá-lo. Sentí-lo completamente. A totalidade. Não tem um sinal, são as pessoas que vão. Não tem um caminho, as pessoas que o criam. Porque o que me atrai é o contrário? Faltam treze minutos pra começarem as aulas. Preparação. Faltam onze minutos. Faltam sete minutos. E permeado pelas reclamações da classe média burguesa-cristã. Faltam cinco minutos. Ele sai correndo e foge do que acha que são os problemas. Não tem nem ideia do que o que são problemas. Não dói, o que dói é esse não-conhecimento. Faltam três minutos. E ele desiste, se vende, e se trai. Faltam dois minutos pra começar minha aula.

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